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sexta-feira, 9 de maio de 2014

A garota silenciosa de Tess Gerritsen

A garota silenciosa é o nono livro da série policial escrita por Tess Gerritsen que tem como protagonistas Jane Rizzoli, a policial, e Maura Isles, a médica legista. Já falei aqui da minha relação com a escritora e de como sou fanática por esta série: daí que a cada livro novo corro para ler! ;)

Posso dizer que fico feliz de ter mais motivos ainda para acompanhar os livros de Tess pela sua capacidade de sempre criar algo novo: Gélido, o oitavo livro da série, foi bem surpreendente e diferente do que a autora vinha fazendo.

Em A garota silenciosa novamente vemos Gerritsen renovar a série com uma história que é ambientada no bairro de Chinatown, traz vários elementos da mitologia chinesa, possui um ar mais sombrio e uma dose forte de suspense em vários momentos. Ah, sim, e é protagonizada por várias mulheres: outro elemento das histórias de Gerritsen que eu gosto!
Nos seus diversos romances policiais, a autora chama atenção para dramas sociais muito ligados a diversas formas de sujeição e exploração das mulheres e às distintas formas de lidar com estas questões.

A trama gira em torno de um assassinato ocorrido no bairro de Chinatown que parece ter sido feito com um tipo muito raro de espada, pois a pessoa teve decepada sua mão de uma forma muito precisa. Rizzoli assume o caso e Maura a auxilia até certo ponto; mas o foco deste volume é Rizzoli e a participação da legista é um tanto acessória neste volume. Este foi, aliás, um dos motivos que me levou a não dar 5 estrelas para o livro (dei quatro!): no início parece que nossas duas protagonistas participarão ativamente do caso, mas Maura Isles acaba saindo de cena. No plano da vida pessoal das protagonistas ocorre um abalo na relação das duas, pois Maura depõe contra a atuação violenta de um policial e Rizzoli, embora não pratique este tipo de violência e nem seja favorável,  acaba questionando o rigor ético de Isles.

O enredo combina a investigação sobre este misterioso crime e o envolvimento de Rizzoli e sua equipe em outros crimes ocorridos em Chinatown no passado. E aspectos ligados a mitologia chinesa e às artes marciais vão permeando várias descobertas.

Gostei muito do fato de que a trama se desenrola em torno de vários crimes e a ligação entre os mesmos esconde questões que aparecem no início da trama. O desfecho é bem interessante e com uma boa dose de ação e tensão. (*** Alerta de pequeno spoiler - visão sobre o final do livro: adoro vários finais dos livros desta série; este é mais interessante não pelo aspecto da surpresa - creio que este desfecho tem previsibilidade de um lado e grata surpresa do outro, rs -, mas pelo modo como Tess liga o final a uma mudança interessante em Rizzoli).

Falei um pouco mais desta leitura (e de outros romances policiais lidos em abril) no vídeo abaixo:



Abraços!


*Livro solicitado na parceria com o Grupo Editorial Record.

domingo, 6 de abril de 2014

Quem sabe um dia de Lauren Grahan

Quem sabe um dia, o primeiro livro da atriz Lauren Graham (a nossa eterna Lorelai de Gilmore Girls! ;), é um livro leve e divertido.

Acompanhamos a trajetória de Franny Banks em Nova York no final do prazo de três anos que ela mesma se impôs para se tornar uma atriz em ascensão (na Broadway). Restam seis meses para lutar pelo grande desejo de sua vida, mas até agora ela conseguiu apenas fazer um comercial de casaco de Natal, trabalhar como garçonete e fazer um curso de teatro famoso. No mais, divide um apartamento no Brooklin com sua grande amiga Jane, que trabalha como assistente de produção em um filme, e Dan, que aspira ser roteirista de filmes de ficção científica. Tudo gira então em torno da indústria da TV e do cinema e do quanto é difícil batalhar por uma entrada neste mundo. Franny aposta suas fichas no curso de teatro que está fazendo e que termina com uma grande apresentação na qual comparecem recrutadores/ "olheiros" das grandes agências de atores de Nova York.

Como nas boas comédias românticas do cinema, os melhores momentos da trama se passam nas peripécias pelas quais Franny passa em sua caminhada e na convivência e nas conversas da personagem principal com seus colegas de apartamento. ;)

Franny tem 26 anos; perdeu a mãe quando era pequena e foi criada pelo pai, um professor de literatura que vive em outra cidade e quase só consegue conversar com a filha pelo telefone. Um dos pontos altos do livro para mim foi justamente a relação de Franny com seu pai e as conversas dos dois. Na maior parte das vezes o pai de Franny, não conseguindo falar com ela, deixa recados na secretária eletrônica; mensagens que, aliás, pautam a passagem do tempo e conferem uma boa dinâmica à história. Pena só que a autora não segura o ritmo (neste e em outros pontos) até o final.

A relação da personagem com a secretária eletrônica, aliás, foi uma das boas ideias de Lauren Grahan. O livro se passa em 1995 e Franny não tem um telefone celular; a secretária é seu meio de relacionamento com o mundo e, na maior parte do livro, o uso deste recurso confere dinamismo e graça ao enredo. Franny está sempre esperando um recado de alguém da mesma forma que parece estar esperando ser aprovada (empregada) por alguém como atriz, como mulher, como pessoa...

Apesar de ser o mote central, achei que a insegurança em relação à sua atuação não é tão bem  explorada no livro. Ao mesmo tempo em que acompanhamos vários momentos de descoberta da personagem de seu potencial como atriz, a autora explora a insegurança de Franny com relação ao seu corpo, sua beleza, seu cabelo… Embora estas questões sejam elaboradas também com relação à insegurança geral da personagem sobre si mesma de forma interessante em certas partes, achei que foi um pouco clichê demais e forçada a obsessão de Franny com dietas (confesso que implico com o excesso dessa temática...).
Minha impressão geral foi a de que o livro é divertido e interessante, mas ganharia muito se fosse mais enxuto em várias partes do enredo e também na construção da personagem.

Assim, ao mesmo tempo que gostei do início do desenvolvimento da personagem com as várias tiradas através da secretária eletrônica e das conversas de Franny com Dan, duas coisas me incomodaram mais do meio para o fim do livro. A primeira é que Franny não parecia ter 26 anos! Em vários momentos, senti como se ela fosse uma adolescente e como se houvesse um certo descompasso entre uma das características da personagem (a insistência em batalhar pelo que queria) e as demais… (Para mim a obsessão com o seu peso não "colou", sabem como?). Além disso, faltou sutileza a autora em alguns momentos: estendeu demais certas passagens e explicou muito para seu leitor outras ótimas ideias que teve (como a do nome da personagem dada por sua mãe que adorava Salinger).

Enfim, gostei do tom leve e divertido da leitura, especialmente no início e no finalzinho, e de alguns insights de Lauren Grahan, mas acho que o livro ganharia muito se a autora se afastasse de alguns clichês e tornasse mais dinâmico também o "miolo" da trama.


OBS: Ganhei "Quem sabe um dia" de cortesia da Editora Record no evento Piquenique da Galera Record. ;)