Um pouco tarde como sempre (atrasada é meu nome do meio) venho falar sobre as leituras do mês de maio. Um mês absolutamente incrível na minha relação com a literatura: comprei excelentes livros em várias promoções ( ) e, principalmente, descobri autores e livros muito, muito bons. E foi o mês que li Anna Karênina; um livro fantástico que se tornou um dos livros favoritos da vida.
Antes, porém, de entrar nos comentários das leituras feitas, tenho que falar do novo nome do humilde bloguito. Vocês gostaram?
Há algum tempo que eu queria modificar o título deste espaço para que ele pudesse refletir um pouco mais ao tema que acabei me dedicando e quero seguir debatendo por aqui. Cem Anos de Literatura faz uma homenagem não apenas ao Gabo, mas ao realismo mágico, à literatura latinoamericana (uma das minhas preferidas, fato) e ao caráter atemporal da literatura (porque cem anos é, na realidade, a ausência de limites; cem anos são mil vidas, muitos mundos possíveis e não um tempo realmente mensurável...).
1. Coração Apertado de Marie Ndiaye
Já quero ler todos os outros livros da Ndiaye: que escrita essa francesa tem e que capacidade de lidar com uma temática tão profunda prendendo o leitor de um modo tão incrível (eu tive sensações físicas fortíssimas lendo esse livro, gente)!
Só não posso falar muito do livro, pois estragaria a experiência. Basta saber que é sobre um casal de professores de meia idade que vive em Bordeaux e que se vê acossado por praticamente todas as pessoas a sua volta sem saber o porquê... Leiam: vale a pena! (ainda que o final tenha me deixado um pouco... humm, não direi, mas compartilho com quem tenha lido o livro nos comentários, ok?)
2. Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá:
A única HQ do mês, mas valeu por várias. Inovadora em relação à estrutura e ao fato de ter dois desenhistas. Gostei bastante!
3. A Morte de Ivan Ilitch de Liev Tolstói
Releitura para o Entre Pontos e Vírgulas: post aqui e debate no fórum aqui.
4. A Infância de Jesus de Coetzee
Meu primeiro contato com o escritor; gostei bastante, mas também me senti um tanto estranha com relação ao enredo e à algumas características do livro... Deixo aqui uma resenha bem legal desse livro para quem se interessar:
5. Fantasmas na biblioteca de Jacques Bonnet
Confissões de um bibliófilo; leitura deliciosa para aficcionados, rs. (No estilo dos livros do Midlin) Bonnet conta um pouco a sua própria trajetória, como organiza sua biblioteca, e tem um ensaio interessantíssimo sobre a relação pessoal do leitor com os personagens e com os escritores... ; )
6. O Escolhido foi você de Miranda July
Que livro incrível! Miranda July me ganhou na sua capacidade de transformar um momento da sua vida pessoal em literatura e em algo novo: o livro é quase um documentário! Agora quero ler mais textos dela com certeza! (E as imagens e pessoas do livro? Demais!)
7. Anna Kariênina de Liev Tolstói
Simplesmente a melhor leitura do mês, do ano! Fiz um vídeo, mas deveria ter feito um post também para o desafio literário... (ainda farei, vocês são minhas testemunhas, rs).
E essas foram as leituras do incrível mês de maio! E vocês: leram muitas coisas boas também? Beijos!
(O texto abaixo contém spoilers, pois foi preparado para o debate do livro no Fórum Entre Pontos e Vírgulas)
A Morte de Ivan Ilitch, novela publicada por Tolstói em 1886, é um desses textos atemporais, impecáveis e únicos. O próprio título anuncia não só o que há de particular, trata-se de Ivan Ilitch, mas também o tema que é universal e necessário: a morte.
O aspecto que eu mais gostei nessa minha releitura é a profusão de contrastes que Tostói nos traz em uma narrativa tão breve, mas, ao mesmo tempo, com um final tão denso... (E como diz o Paulo Rónai no posfácio dessa edição da 34: que descrição do momento da morte!).
A narrativa nos coloca diante de uma dialética entre o particular e o universal e entre a vida e a morte. Depois de uma descrição seca de uma vida que eu chamaria de opaca (sem vida, cor, sobressaltos), somos arrebatados por uma morte extremamente vívida! E aí é que passamos do particular (do "tipo" que o autor está descrevendo e podemos nos identificar parcialmente ou não) ao universal: todos experimentamos a morte, a proximidade e a necessidade da morte - o que, inevitavelmente, nos faz rever nossas escolhas passadas e nossas finalidades na vida.
Nas minhas reflexões para além do texto fiquei também pensando que tudo contribui para a angústia crescente (do leitor) que se depara com o vazio cada vez maior (e mais insosso) da vida de Ivan Ilitch, para, em seguida, se sentir imerso no fato de como a sua morte (que ele experimenta no momento em que tem a certeza da morte e não apenas na consumação desta!) se torna o um evento radical, solitário e atemorizante. [O que eu quero dizer é que há uma forte união entre o conteúdo/texto e o estilo da escrita que nos faz experimentar esse contraste fortíssimo!].
Ivan Ilitch é o protótipo do burguês burocrata. Não tem grandes paixões ou ideais na vida; seus únicos motores são o trabalho (o que envolve a busca de promoções e uma segurança financeira apenas, e não algum tipo de realização pessoal) e sua parca vida social. Sua vida íntima é também marcada pela ausência de fortes desejos e sentimentos: o seu casamento se deu por conveniência social e viveu quase a vida toda uma relação superficial com a esposa e os filhos. Prazer? Apenas no jogo; e nada avassalador, pelo que percebemos.
Como o trecho abaixo ilustra de forma brilhante: a vida toda de Ivan Ilitch é permeada por um cotidiano impessoal e racionalizado, na qual há pouco ou nenhum lugar para afetos e relacionamentos mais profundos e radicais.
A Morte de Ivan Ilitch; editora 34, pág. 33
Os momentos de decepção e tristeza (se é que há algum sentimento mais forte) ficam por conta dos reveses ligados à ascensão profissional e, por conseguinte, à manutenção da sua reputação social.
Eis que a sua própria vida (e o quão "diminuta" ela teria sido) só se torna uma questão quando ele se vê diante da doença sem solução, e quando compreende a imutabilidade da morte iminente!
Continuando com os contrastes: o tratamento demasiado impessoal do médico traz à tona para Ivan Ilitch uma revolta que ele nunca sentiu quando estava "do outro lado"/da burocracia. O tipo de tratamento superficial e distante que recebe do médico, da sua esposa, da filha; tudo isso só reforça a falsidade e a pequenez que ele agora vê na sua antiga vida.
A todo momento o desespero de Ivan Ilitch só vai aumentando e não vem tanto da dor, mas da experiência da morte, do fim. Tentando reconstituir seu passado vê poucos momentos (a infância e/ou na faculdade talvez) realmente autênticos.
Outro elemento de contraste é o criado G. que representa a simplicidade da vida (e a tranquilidade da alma) que ele nunca teve e não tem agora diante da morte, do fim de tudo; um "tudo" que ele não consegue ver sentido algum.
Confesso que me deu muito prazer reler essa novela ao mesmo tempo em que leio pela primeira vez outra obra magistral de Tolstói: Anna Kariênina! E isso porque pude observar a mudança grande na escrita e a complexidade deste grande escritor e pensador. Se em Anna eu me envolvo completamente no enredo a partir da vida interior e da riqueza de cada personagem com suas dúvidas, hesitações, escolhas e emoções; em Ivan eu me assusto com o quanto o homem (todos nós) pode despir-se de sua humanidade e transformar a própria vida em mero seguimento de procedimentos burocrático-sociais (e perder-se no meio disso)*.
O que posso dizer é que a morte extremamente vívida de Ivan Ilitch é inesquecível: sei que retornarei à ela não como algo distante, mas como algo muito próximo sempre que a rotinização dos procedimentos cotidianos me separar daquilo que me faz humana e me despir de vida, de propósito, de finalidade...
*Sei que a comparação é meio descabida: um romance de proporções enormes como Anna e uma novela. Mas o ponto é a mudança na forma do texto, no estilo. É notável e interessantíssimo acompanhar essa transformação da escrita (que tem muito que ver com os propósitos e com a mudança mesmo de Tolstói: a morte se torna cada vez mais um tema e uma realidade que o atormentava muito. Não apenas a morte em si, mas o fato de que ele não conseguia implementar em sua vida pessoal a mudança de vida que ele tanto desejava - a saber, uma vida mais simples, mais próxima da natureza e despida das conveniências sociais!).
Abril foi um mês intenso: viajei, sorri, vivi, vi lugares maravilhosos, amei, chorei, sofri, tive medo e me levantei no final do mês como se uma estação inteira tivesse passado... um inverno; porque é no inverno que tradicionalmente as coisas tomam tantos rumos inesperados (na minha vida! ;).
Mas eis que aí, no meio disso tudo, tem a literatura... Ah, a literatura e sua capacidade de nos ajudar nas nossas escolhas diárias, nos nossos momentos de impotência e solidão, nos nossos desesperos e medos mais profundos... na alegria, na tristeza e na esperança...
Sim, MUITA coisa aconteceu, coisas boas, maravilhosas, mas também outras bem difíceis (vida = a gente se vê por aqui! :); mas o que eu vou lembrar - hoje - é dos livros que me acompanharam nessa jornada! Vamos lá?
1. Garota Exemplar de Gillian Flynn - um livro que não tem nada a ver comigo, fora o seu gênero (suspense). Uma história bem elaborada do ponto de vista do enredo; mas, a meu ver, com personagens extremamente estereotipados e trechos cansativos. Não me seduziu nem um pouco. Primeira escolha errada do ano em termos literários... (Duas estrelas no skoob. Não aparece na foto, pois já troquei - Skoob Plus: amo muito tudo isso!).
2. A Bailarina Fantasma de Socorro Acioli -
Uma belíssima homenagem ao Teatro José Alencar em Fortaleza e a capacidade da literatura em entrelaçar memória, arte e identidade de uma forma única. Gostei demais da edição e das lindas fotos do teatro que tem plena integração com o texto!
Ondjaki lindo e uma obra com tudo que eu amo na literatura africana: temática social e identitária, bom humor, poesia e intertextualidade.
4. Sobre a Beleza - Zadie Smith
Esse é outro que gerou um vídeo especialíssimo para mim: gostei mesmo muito desse livro e, principalmente, da Zadie Smith. Diálogos e personagens interessantíssimos, atuais e complexos com seus dramas destrinchados através de ótimos diálogos e reflexões. Uma escritora com muito potencial na minha estante (rs).
5. Jubiabá em quadrinhos - Adaptação e arte de Spacca
Jorge Amado em quadrinhos!
Só por isso já amei... sério! (rs).
Mas o traço do Spacca me surpreendeu e fiquei horas sem conseguir largar. Emocionante!
Demais essa iniciativa de adaptar nossos grandes escritores para quadrinhos: vida longa a ideia e a execução deste projeto. ;)
6. MAUS - Art Spiegelman
Maus é absolutamente imperdível! Spiegelman utiliza vários recursos para contar a história de sobrevivência do seu pai: Vladek Spiegelman.
Desde o uso do preto e branco, dos animais representando cada nação até o estilo que combina conversas com o seu pai no presente (em encontros cheios de significado) e a história de vida do mesmo com sua mulher na Alemanha Nazista; tudo colabora para uma forma original e singela de expressar aquilo que não tem como ser apreendido na sua totalidade de quase nenhuma forma. Texto, desenho, cores e representações se combinam para narrar a vida de Vladek e a experiência dos judeus sobreviventes. Porém, o mais interessante a meu ver, é a forma como este quadrinho combina elementos biográficos da vida do seu pai com elementos auto-biográficos a respeito da relação do próprio Spiegelman com o seu pai, com a perda de sua mãe e com o holocausto.
Ou seja: tanto a forma como seu pai sobreviveu, como a sua própria (do escritor) relação conturbada com tudo isso é o grande tema de Maus. Uma HQ merecedora do prêmio Pulitzer, certamente!
Este livro de contos do Gabo é bem denso e que foi uma leitura difícil para mim emocionalmente neste mês. A temática que perpassa os textos é a da morte e os contos foram escritos no início da carreira do grande escritor colombiano. Mas muitos possuem já diversos elementos que o consagraram; características como a força das sensações nas descrições, a inclusão do fantástico no cotidiano e uma linguagem única que nos faz vivenciar os sentimentos e angústias dos personagens.
Creio que essa leitura foi forte também por conta do meu momento e das lembranças que me fez reviver... Gabo e seu poder único de mexer profundamente comigo! Excelente: 5 estrelas!
(Sim, eu sei que já estamos em MAIO, rs. Mas como deixar de registrar por aqui as ótimas leituras de março? E de abril (essas entram no ar amanhã! ;)
Março foi outro ótimo mês e, relação as leituras: 10 livros terminados! =D
Estou gostando muito dessa imersão na leitura e de poder ler cada vez mais tanto o que eu quero profissionalmente (que não está contabilizado aí porque são artigos e pedaços de livros), quando o que me traz prazer e crescimento pessoal em outro sentido - a literatura!
1. A Confissão da leoa - Mia Couto
Mais um livro do Mia Couto que mexeu comigo. Dentre os que eu já li do autor (O último voô do flamingo, Terra Sonâmbula e O último pé da sereia), este último não é o preferido, mas foi uma leitura muito interessante.
Mais uma vez Mia brilha em vários aspectos: o entrelaçamento da história social e pessoal, a força dos mitos na vida das pessoas, a busca de identidade em meio aos diversos elementos sociais e familiares que nos influenciam para além do que podemos controlar, a linguagem poética única! Um belo livro com um personagem masculino que virou um dos meus preferidos do escritor: Arcanjo Baleiro.
2. As virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides
Um livro que me surpreendeu positivamente e muito! Jeffrey Eugenides nos enche de melancolia em uma história com uma temática de morte na adolescência; mas que fala muito mais da morte e da incapacidade de entender um tipo de vida, uma certa forma de estar no mundo que não existe mais.
3. O Colecionador - John Fowles
Esse excelente livro do Fowles foi debatido no Fórum: veja aqui.
4. O sentido de um fim - Julian Barnes
Outro que foi debatido no fórum e que, confesso, eu não aproveitei tanto... : (
Mas o debate foi muito rico justamente por conta das visões e sensações tão distintas que esse livro nos provocou! Se você já leu, confira o debate no fórum entre pontos e vírgulas.
5. O Chamado - Jack London
Jack London me conquistou com a sua escrita e a história de Buck... mas sobre este singelo livro eu falo em um post separado (para o desafio literário!) em breve.
6. Maquiavel - Quentin Skinner
Eu gosto muito do Skinner e não conhecia esse pequeno grande livro de interpretação do tão mal compreendido Maquiavel. Vale muito a pena para quem quer ver outra interpretação do florentino para além do lado maquiavélico difundido pelo mundo todo... ;)
7. A Cor do invisível - Mario Quintana
Poesia todo dia agora virou meu mantra. Gostei especialmente desta coletânea comparada com as outras que tenho dele: poemas que exaltam a delicadeza e a simplicidade da vida, do amor, do cotidiano...
Mario Quintana para sempre!
8. O livro dos abraços - Eduardo Galeano
Um livro que fala dos abraços dados, dos não dados e dos imaginados; um livro que fala da vida, da morte, dos encontros e da América latina, da história e da memória, das cidades e dos homens. Textos que celebram uma forma de viver para além das circunstâncias, para além dos retornos impossíveis que anunciam pequenas mortes. Um livro belo e único: merece ser lido e, mais importante, sentido! Certamente uma das melhores leituras do ano! ;)
9. Um livro por dia. Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company - Jeremy Mercer
Jeremy Mercer conta com muita lucidez a sua vida na Shakeaspeare and Company e nos delicia com a história do homem por trás dessa ideia e dos meandros da vida nessa livraria única na linda Paris! E o mais impactante é que a escrita de Mercer nos proporciona uma pequena imersão neste lugar único, ou melhor, na vida do próprio autor na Shakespeare and Company: um lugar no qual o tempo se suaviza e a vida ganha outro sentido...
10. E foram todos para Paris - Sérgio Augusto
Um guia de viagem da cidade luz com ótimas indicações para ir a todos os pontos importantes onde viveram-e passaram (debateram, brigaram - rs - beberam café, vinho e etc) vários dos grandes escritores e artistas que passaram por Paris da década de 20 a 40... Com ótimo texto, fotos e mapas: imperdível para qualquer amante de literatura que vai para Paris! <3>3>
A ideia me cativou, pois eu queria fazer
um texto diferente sobre esta escritora nigeriana que eu tanto admiro! ;)
Conheci Chimamanda no ano passado e li com
sofreguidão seus dois romances publicados: Hibisco Roxo (vencedor
do Commonwealth Writter's Prize e do Hurston/Wright Legacy, 2003) e Meio
Sol Amarelo (vencedor do Orange Prize e do National Book Critics'
Circle Award, 2007); só que li na ordem inversa de produção, rs.
Junto com Mia Couto e Ondjaki, Chimamanda
me abriu o olhar e a mente para uma nova literatura, para um mundo novo.
Foi através de seus livros que passei a dar mais atenção à literatura africana;
hoje indispensável na minha vida, mas até então quase desconhecida e
inexistente no meu curriculum de leitora...
Eis que venho dividir com vocês as 16
coisas que eu sei sobre a escrita (e a vida) de Chimamanda Ngozie Adichie - e
porque eu acho que os livros dela são absolutamente imperdíveis!
1.Meio Sol
Amarelo (MSA) é um romance belíssimo sobre sobrevivência,
descoberta, escolha e manutenção de identidades em meio à guerra e à
violência extrema.
2. A estrutura narrativa
tripartite de MSA permite olhar uma sociedade e as pessoas que
nela vivem, com suas diversas características culturais e históricas, sobre
prismas diferenciados, multifacetados e profundos. O livro questiona o olhar
simplista e os perigos de ver um povo, uma vida, uma cultura e mesmo uma guerra
sob um único olhar (Tema que ela trata de forma muito interessante na palestra
"O Perigo de uma história única"; não viu?Então veja abaixo correndo!!! ;)
3. Ugwu, Olanna, Odenigbo,
Kainene e Richard - os personagens centrais de MSA -
não vão te deixar dormir sem lembrar de suas vivências, dores, aspirações e
esperanças... São todos inesquecíveis; mas Ugwu e Olanna são
meus preferidos; eu praticamente vivi e dormi junto com eles por duas semanas
seguidas. ;)
4. Nesta obra (MSA)
nos deparamos com três personagens chave que são como "tipos ideais"
escolhidos pela autora para tratar das consequências devastadoras da guerra:
Ugwu é um garoto vindo de uma aldeia pequena e que condensa a tradição e a
identidade da sua etnia; Olanna é a nigeriana de classe média alta que estudou
na Inglaterra e decide voltar para o seu país e participar ativamente de sua
reconstrução e Richard é um inglês intrigado pela cultura e pela história
nigerianas que não tem desejos de manter suas raízes e sim de criar novas. Mas
é claro que estes personagens são muito mais; a tentativa de tipificá-los não
visa simplificar e sim entender o ponto de partida de Chimamanda.
5. Todos estes personagens,
bem como os demais de MSA, trazem à tona o conflito central do
livro: as supostas fronteiras ou os limites entre o étnico, o nacional,
o estrangeiro e o humano. A delimitação de identidades através da origem, da
história política e social, da ideologia e das crenças e valores; contraposta à
unificação do diferente através da humanidade, do amor e do perdão.
6. Entretanto, essa
temática (bem como a discussão de fundo de colonização e barbárie), por si só
densa e difícil, aparece no livro de Chimamanda a partir da vivência de seus
personagens e não de forma direta; o que torna a leitura muito, muito mais
palatável, reflexiva e envolvente. A guerra, a dor e o questionamento da
realidade ganham carne e substância a partir dos dilemas e escolhas diárias de
Olanna, Ugwu e Richard.
7. Em nenhum outro livro
que eu tenha lido recentemente vi os temas da fome, da guerra sem
sentido e o da violência extrema serem tratados de
forma tão forte, realista e, ao mesmo tempo, tão humana quanto em MSA.
A escrita, o enredo e os personagens de Chimamanda conseguem isso de uma forma
única e muito interessante.
8. MSAtambém
é muito interessante por outros recursos narrativos e pelos elementos
históricos que recupera da guerra civil na Nigéria; mas falar aqui sobre eles
estragaria a experiência da leitura, o que considero imperdoável.É
preciso ler Meio Sol Amarelo; acredite: é impossível continuar o mesmo depois
da imersão neste mundo!
9. Chimamanda nasceu em
1977; tem 35 anos, é casada, mora parte do ano nos Estados Unidos onde leciona
e outra parte na Nigéria e já publicou dois romances e um livro de contos. (e
eu também - apenas a parte de ter nascido em 1977, claro! Ano fantástico esse, hein? rs).
10. Hibisco
Roxo (HR) é um romance primoroso onde a descoberta do amor, a vivência
da dor e da incomunicabilidade se interpenetram em uma história belíssima.
11. Em HR acompanhamos
Kambili, uma jovem nigeriana de 15 anos, em sua jornada de profundas
transformações no seu modo de perceber o mundo ao seu redor. É o desabrochar de
uma flor, mas não uma flor como as outras... E sim uma flor rara e linda como o
hibisco roxo...
12. Neste seu primeiro romance, Chimamanda não utiliza recursos narrativos variados: a narração em primeira pessoa de Kambili com o seu desabrochar para a realidade é o maior deles. Fora isso, o enredo contribui bastante para cativar o leitor que tem em mãos novamente (de uma forma completamente diferente) a possibilidade de reflexão sobre os efeitos dramáticos da colonização na Nigéria, a devastação das tradições locais e suas consequências sociais e políticas (não tomadas no plano estatal, mas sim no plano individual; ou seja, no que diz respeito às pessoas comuns).
13. Ngozie, o nome do meio
de Chimamanda, quer dizer abençoada.
(E
Mercedes, o meu nome do meio, quer dizer "dar graças", perdão; ou
seja, outra coisa que temos em comum - Chimamanda é abençoada e eu dou graças
por mulheres como ela no meu mundo ;)
14. Ouso dizer que os livros
de Chimamanda Adichie são como flores para a alma; necessários para retomar em
cada um de nós uma das questões mais profundas que nos deparamos ao longo da
nossa existência - o que podemos fazer com o que recebemos na nossa vida, na
nossa história pessoal? O que queremos ser apesar de, ou melhor,
independentemente do que as circunstâncias nas quais vivemos nos impelem?
Ou
seja: para refletir sobre o que escolhemos ser, acreditar e como podemos agir
no mundo ao nosso redor. Questionamentos estes que são
inescapáveis e que eu quero me fazer e responder a cada momento em que elas se
colocam na minha vida. E quando a literatura me permite continuar pensando,
elaborando e respondendo à estas e outras perguntas; aí é que amo mais ainda
esta arte única que é a de escrever estórias e agir através delas na história
humana.
15. Comecei a ler os contos
de Chimamanda no livroThe Thing Around your Neck e
posso dizer que as grandes virtudes de sua escrita e seus eixos temáticos
principais estão lá em cada história curta e, principalmente, na escolha de
personagens e situações vividas.
Nova tag que me deu vontade de começar aqui no blog porque hoje me peguei pensando nisso. Afinal, quantos livros passam por nós a cada dia de diferentes maneiras?
Tem dias que são muitos, tem dias que pensamos, lemos e devoramos um só livro... e há os raríssimos que passam sem um livro sequer, seja na memória ou na experiência presente (dias tristes, fato!).
Hoje é um dia "típico" para mim: trabalho de manhã e à noite e descanso parte do dia (sim, já estou de volta e no batente! Sobre a viagem, conto mais para frente quando der, rs). Pois em um dia assim -comum - passam muitos livros pela minha jornada; e de diversas formas.
1. Os livros que trouxe para as aulas:
O pequeno sobre Maquiavel foi empréstimo de um aluno: trouxe para devolver e o Skinner é paixão antiga! ;)
Foucault: aquele lindo e esse livro que eu amo!
2. O livro que estou lendo
Ok, essa leitura está arrastada. Primeiro pq viajei por 10 dias e só li no avião na ida e na volta, rs. Segundo porque, apesar de ser um thriller interessante, a temática não tem absolutamente nada a ver com meu momento.
Eu confesso que comprei esse livro e comecei a leitura por pura CISMA!!!! Sim, sou dessas: não li quase nada sobre o livro, vi metade do vídeo da Cláudia (depois atualizo com o link aqui) e cismei loucamente que tinha que ler para ontem. Já passaram por isso? ; )
E aí que é até interessante, mas eu diria que estou gostando mais ou menos. O ponto é que não tem ressonância com minha vida, então me interessou mais pelo lado do suspense. Resultado? Leitura meio arrastada, mas quero saber o final então persisto. haha
Ah, é sobre um casal em crise, sobre as relações de poder entre homens e mulheres (não achei nada de muito arrebatador e interessante no tratamento dessa questão) e o desaparecimento da esposa, by the way...
3. O livro que meu querido monitor me emprestou e aviso por aqui mesmo que não sei quando devolvo!
Sim, o Thiago fez isso comigo: ao final da aula de hoje de manhã, tirou esse lindeza da mochila e me entregou dizendo: "Olha que lindo o Cortázar que comprei; leva e me devolve amanhã".
SIM, ele teve a CORAGEM de fazer isso comigo: uma book maníaca em recuperação! (Estou de greve de compras de livros agora depois da viagem, mas isso é assunto para outro post...).
Tão bonitinho esse Cortázar pequenininho... apaixonei! ; )
Ainda bem que tenho meu livro Cortázar em espanhol que encontrei em Paris para me consolar! Porque vai ser muito difícil devolver esse fofo amanhã, rs.
4. Os outros livros que desejei hoje! (e ainda são 17:00! rs rs)
O do Agualusa que quero para ontem depois de ler a super entrevista da Ju com o escritor querido!!! Não leu ainda: corre lá! ; )
E abaixo essa biografia diferente do Montaigne que meu amigo está lendo e eu também desejei, claro! rs
Agora quero saber quais livros passaram pelo dia de vocês hoje? Me contem! ; )
Pablo Neruda dispensa apresentações; um
dos poetas mais lidos, aclamados, publicados e traduzidos em vida do grande
século XX! Ganhou o nobel em 1971 e já era
então um poeta consagrado no mundo inteiro. Ainda assim eu gostaria de falar um
pouco da sua vida antes de contar a minha experiência com a sua poesia única.
Pablo Neruda nasceu no Chile e começou a
escrever poemas desde muito novo. Publicou seu primeiro poema aos 14 anos; com
22 já tinha alguns livros de poesias aclamados em sua terra natal. Depois
viajou o mundo trabalhando como cônsul e passou anos decisivos para sua
vida vivendo na Espanha. Foi grande amigo de poetas como Federico García Lorca,
Miguel Hernandez, Vinícius de Moraes e também aluno de Gabriela Mistral.
Sua vida na Espanha e a experiência da
guerra o marcaram profundamente. Sua relação com o mar, com sua última esposa e
com o destino de sua pátria e sua gente o transformaram nos nosso grande Neruda. ;)
Nasceu chileno, mas se tornou
latinoamericano, espanhol e portador de uma esperança. Nasceu Ricardo, mas se
tornou Pablo: o poeta de Isla Negra, o homem que amava com desespero e ternura,
que gostava de colecionar artefatos ligados ao mar e outros inusitados, que
admirava Matilde, que sabia amar seus amigos com toda sua alma, que nunca
perdeu a capacidade de fazer perguntas e que era solidário a uma
causa. Porque um poeta escolhe o que quer ser, assim como escolhe cada palavra
e cada estrofe de sua poesia. Assim Pablo escolheu ser o grande Neruda e nos
deixou uma obra poética inigualável.
Início de um dos meus poemas favoritos de
Neruda!
O meu Neruda da adolescência foi o de Vinte Poemas de Amor e uma Canção desesperada (que poesia inesquecível! Como ficar imune diante das estrofes "Todo te lo tragaste, como la lejanía. Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufrágio!"). O poema 15 ressoa na minha alma até hoje... porque fez parte de trocas e confidências de um amor único e, na época, impossível...
Depois veio o Neruda de Barcarola (A
preferida? Não consigo escolher, mas amo demais essa poesia...) de Canto
General, do belíssimo Reunión bajos las nuevas banderas e
de España en el corazón... Não posso deixar de ler esta estrofe
inúmeras vezes e sentir um aperto no peito:
"(...) Y una mañana todo estava
ardiendo
y una mañana las hogueras
salían de la tierra
devorando seres
y desde enonces fuego,
pólvora desde entonces
y desde entonces sangre.
Bandidos con aviones y con moros,
Bandidos con sortijas y duquesas,
bandidos con frailes negros bendiciendo
venían por el cielo a matar niños,
y por las calles la sangre de los niños
corría simplemente como sangre de niños.
(...)"
Trecho de España en él corazón,
Pablo Neruda.
E hoje ainda tenho um mundo de poesias do Neruda
para descobrir (que bom!).
As últimas alegrias foram Ode a uma estrela e Livro
das perguntas que comprei nas belíssimas edições da Cosac para homenagear
o querido poeta.
Neruda merece edições especiais assim; e
como! (e nós, leitores apaixonados, agradecemos!)
Gostei muito dos dois livros, mas O
Livro das perguntas é de uma singeleza imperdível, necessária e vital. Recomendo com força a todos os que sabem que é melhor ter sempre perguntas do
que respostas. ;)
Para terminar este post e começar bem o
dia (rs) dois poemas absolutamente incríveis escritos em 1973
(este também, um ano para não esquecer jamais): Vinicius em homenagem a Neruda
e Pablo: sereno, terno e simples no fim da vida (Pido silencio).
"Breve consideração
à margem do ano assassino de 1973.
Que
ano mais sem critério
Esse
de setenta e três...
Levou
para o cemitério
Três
Pablos de uma só vez.
Tês
Pablos, não três pablinhos
No
tempo como no espaço
Pablos
de muitos caminhos:
Neruda,
Casals, Picasso.
Três Pablos que se empenharam
Contra
o facismo espanhol
Três
Pablos que muito amaram
Três
Pablos cheios de Sol.
Um
trio de imensos Pablos
Em
gênio e demonstração
Feita
de engenho, trabalho
Pincel,
arco e escrita à mão.
Três publicíssimos Pablos
Picasso,
Casals, Neruda
Três
Pablos de muita agenda
Três
Pablos de muita ajuda.
Três
líderes cuja morte
O
mundo inteiro sentiu...
Ô
ano triste e sem sorte:
- VÁ PARA A PUTA QUE O PARIU!"
Vinícius de Moraes (em: História natural de
Pablo Neruda. A elegia que vem de longe).
"Pido
silencio
Ahora me dejen tranquilo
Ahora
se acostumbren sin mí
Yo
voy a cerrar los ojos
Y
solo quiero cinco cosas
Cinco
raizes preferidas
Una
es el amor sin fin
lo
segundo es ver el otoño
No
puedo ser sin que las hojas
vuelen
y vuelvan a la tierra
lo
tercero és el grabe invierno
la
llúvia que a mí
la
acarícia del fuego en el frío silvestre
En
cuarto lugar el verano
redondo
como una sandía
la
quinta cosa son tus ojos
Matilde
mía, bién amada,
no
quiero dormir sin tus ojos
no
quiero ser sin que me mires
Yo
cambio la primavera
por
que me sigas mirando"
Pablo Neruda
Para
ler Neruda (serviço):
Pablo
Neruda Antologia Poética. Livraria José Olympio Editora. (Edição
Bilíngue! Bom preço na Estante Virtual;)
Ode
a uma Estrela, Pablo Neruda. Cosac Naify
Livro
das Perguntas, Pablo Neruda. Cosac Naify (tradução primorosa de
Ferreira Gullar)
História
natural de Pablo Neruda. A elegia que vem de longe, Vinicius de Moraes.
Xilogravuras de Calasans Neto. (Uma belíssima homenagem a Neruda!)
Pablo
Neruda Antología General. Real Academia Española, edición
comemorativa. (MUITO boa, vende com
preço bom na FNAC).
Mario
Benedetti nasceu em 1920 no Uruguai e tornou-se um escritor de renome internacional. Dedicou sua vida à escrita e nos deixou mais 80 livros. Sim, mais de OITENTA livros! Dentre
estes, a maioria romances e livros de poesia.
Viveu
a maior parte da sua vida no Uruguai; mas também rodou o mundo em um exílio que
durou quase 10 anos. Sua vida era a palavra. Além dos romances, contos e
poesias, deixou-nos textos de critica cinematográfica, ensaios sobre
literatura, teatro e política.
Amava
a poesia e sua Inez incondicionalmente. O seu último livro, publicado pouco
depois da sua morte (em 2009), é uma autobiografia poética... Como não amar?
Primavera num Espelho partido (lindo!), Biografía para Encontrarme - o último livro de
Benedetti;
A Trégua - o seu romance mais traduzido publicado em
todo o mundo e os poemas de amor!
Benedetti
foi adotado tardiamente na minha vida. Eu tinha 34 anos quando o conheci. Um
único livro me fez amá-lo como escritor por inteiro, os textos seguintes só
confirmaram minha escolha inicial; agora para sempre irrestrita e
incondicional. Amor literário à primeira vista decididamente existe, e é muito
bom!
Depois
de terminar de ler o belíssimo Primavera num espelho partido, acordei
um dia com sintomas de falta de Benedetti aguda (agudíssima!):
não conseguia respirar direito, meu peito doía e minha mente estava entrando em
um vazio terrível. Saí correndo até a livraria mais próxima e adquiri uma
compilação de poemas de amor escrita pelo meu mais novo amante latino. Depois
de uns três poemas já respirava melhor e pude sentir meu batimento cardíaco
desacelerar enquanto alisava e cheirava as páginas do meu antídoto contra o
pior mal-estar que já senti nos últimos tempos: a apatia. Cada poesia, cada
palavra, cada emoção e minha alma sonhadora ia se recompondo... Desde então eu
soube que nunca mais viveria sem a escrita inigualável deste uruguaio boa gente
que, infelizmente, nos deixou em 2009.
Comecei 2013 lendo os poemas de Biografia para encontrarme e chorando copiosamente com Santomé, como já contei por aqui. ;)
Na minha vida, as
obras de Mario Benedetti são remédios para a alma; se o escritor uruguaio
viesse com bula, seria algo assim:
Apresentação: Poesia,
romance, conto, ensaio, roteiro de cinema e crítica literária.
Uso
adulto e pediátrico. ;)
Composição:
Cada texto de Benedetti contém beleza, doçura, utopia e harmonia em
perfeito equilíbrio.
Informações: Os
grandes temas de Benedetti são: memória, exílio, o amor e suas possibilidades e
as relações pessoais e de identidade em meio às grandes mudanças políticas e
sociais.
Com
uma escrita envolvente, é no domínio da criação dos personagens, entretanto,
que a estrela de Benedetti brilha mais forte. Os seus personagens tem sabor de
família, de intimidade, de passado, de choro, de riso e de solidão. Poderia ser
o meu avô, pensei mais de uma vez lendo Primavera... Me perco em
seus sentimentos e histórias, amores e desamores; como se estivessem ao meu
lado contando suas memórias. Benedetti nos mostra um mundo que é muito
"nosso" e é tão novo ao mesmo tempo! Um mundo que se torna pleno de
novos significados, novas utopias e possibilidades de sublimação.
Indicações: Super
indicado nos casos de melancolia langorosa, apatia, vazio existencial e saudade
do que não se vive. Também recomendado para os que sofrem de descrédito
total das instituições políticas e depressão pós fim das ideologias.
Aos
amantes abandonados ou rejeitados é tão necessário como a água o é para todo
ser vivo. Nestes casos, é melhor se ingerido em doses homeopáticas; para que os
suspiros sejam de esperança e não de desespero.
Aos
sonhadores, otimistas e amantes de descobertas: muitíssimo indicado!
Por
último, acredito que Benedetti pode ser indicado até mesmo para os cínicos de
plantão, os pessimistas e os jovens perdidos em ausências nunca sentidas.
Porque ninguém fica imune aos personagens demasiadamente humanos de
Benedetti...
Contra
indicações: Nenhuma, :-)
Posologia: leia
sem moderação, consuma algumas gotas de Benedetti de manhã, à tarde e à noite
para efeito mais rápido e duradouro.
Reações
adversas: inexistentes
até o momento.
Superdosagem: também
não há pesquisas conclusivas a este respeito. Mas aconselho a deixar sempre
algum Benedetti guardado (ou seja, não lido, rs) para o caso de necessidade
imediata.
"Libros
Quiero
quedarme em medio de los libros
vibrar
con Roque Dalton con Vallejo y
[Quiroga
ser
una de sus páginas
la
más inolvidable
y
desde allí juzgar al pobre mundo
no
pretendo que nada me encuaderne
quiero
pensar en rústica
con
las pupilas verdes de la memoria franca
en
el breviario de la noche en vilo
mi
abecedario de los sentimientos
sabe
posarse en mis queridos nombres
me
siento cómodo entre tantas hojas
con
adverbios que son revelaciones
sílabas
que me piden un socorro
adjetivos
que parecen juguetes
quiero
quedarme en medio de los libros
en
ellos he aprendido a dar mis pasos
a
convivir con mañas y soplidos vitales
a
comprender lo que crearon otros
y
a ser por fin
este
poco que soy"
Mario Benedetti, Biografia para
Encontrarme (publicado no Brasil pela Alfaguara)
E
agora com licença que vou tomar o restante da minha dose diária de Benedetti.
;)
*Texto escrito para o blog 365 escritores, que hoje não existe mais. Toda sexta agora será dia de falar de um escritor amado aqui no blog! ;)