domingo, 19 de fevereiro de 2012

Livros, livros e mais livros!


Acordei com vontade de livros... 

Vontade de ler (lógico, ; ), mas também de ter livros lindos que ando desejando, de cheirar, admirar e, também, viajar através dos livros...

Minha realidade este semestre será de não-viajante. Como "sofrer por antecedência" é característica péssima do meu ser e eu sou um espírito que gosta de sair do seu lugar, ando sentindo falta de novos voos loucamente! Ao mesmo tempo ando sem muito tempo para ler...

Muito tempo no mesmo lugar me faz mal; muito tempo sem ler, idem ao quadrado... ; ( 

Eis que, então, acordei pensando nos livros para ler, nos que estou lendo ou li recentemente, nos que quero comprar e ler um dia e nas histórias de algumas séries que ando com saudades. Para aquietar meu coração, resolvi fotografar alguns lindos aqui e dividir com vocês. ; )


1. O Festim dos Corvos: comprei na pré venda em novembro e chegou semana passada. Doida para ler, mas cadê o tempo para me debruçar em uma história que me prende loucamente a ponto de negligenciar o sono?

Em outubro do ano passado eu virei um zumbi lendo os três primeiros livros da saga de Martin seguidos... loucura deliciosa! rs

Daí que esse é um dos que não posso ler agora simplesmente porque estou cheia de trabalho e não tenho como assumir a falta de controle absoluto que fico com os livros das Crônicas de Gelo e Fogo!!!!! ; )

MUITAS saudades de John, Tyrion, Dayeneris, Bran, Arya e até do Jaime, haha.

Quem aí está lendo ou quer ler?




2. Livros do meu Projeto Literário 2012

Li Morte em Veneza no final de janeiro/início de fevereiro e foi um custo! Chato? Um pouco, mas o problema maior foi que eu não estava em clima para ler um livro desses: muito introspectivo, angustiante e complexo. Definitivamente não foi um bom encontro com Thomas Mann!

Agora estou lendo Dublinenses que é um livro de contos do Joyce: seguramente um livro bem mais interessante para o meu momento. Adoro ler contos quando estou atabalhoada porque normalmente são curtos e não deixo histórias pela metade por um longo tempo.


3. A Sociedade Literária e a torta de casaca de batata - Esse eu li em janeiro também e está aqui só para dizer que é um livro lindo!

Leitura de uma tarde ou duas: acreditem! Todo em forma epistolar e entrelaçando histórias de vida no pós segunda guerra na Inglaterra com o amor pelos livros...

Gosto de livros que tratam com delicadeza temas duros em demasia e nos permitem, com isso, acreditar no futuro, no homem e no amor. Junte-se à isso uma dose de humor inglês e eu leio inspirada. (No final do livro tem uma história tão louca que eu ria de cair no chão, kkk).

Confesso que não esperava muita coisa desse livro; comprei intrigada pelo título e por ter visto uma indicação que nem me lembrava onde tinha sido. Li em uma tarde e recomendo! ;)
Trecho de A Sociedade Literária e a Torta de casca de batata.

4. Contos de Horror do século XIX - esse é outro que estou lendo de forma lenta, mas muito prazerosa!

Os contos de horror, crime, mistério e fantasia são meu preferidos e esta seleção é muito boa! No meio tem A volta do parafuso do Henry James, o maior "conto" dessa coletânea (gostei, mas não foi um dos meus preferidos...).

Gosto particularmente de conhecer novos autores e anotar para futuros encontros.

Os que mais gostei até agora foram os contos do Conrad (A Fera), do Jacobs (o excelente "A Mão do Macaco" que eu já tenho em outra coletânea) e o do Pedro de Alarcón (A mulher Alta).

Uma ótima pedida para quem é fã e para quem quer conhecer o gênero!
Contos de Horror escolhidos pelo Manguel:  seleção diversificada e interessante!




5. Na fila de leitura!!!!

Tenho tantos livros na fila que foi difícil escolher os que mais quero ler para fotografar...

Certamente estes dois do Llosa estão entre os primeiros que quero ler (depois dos Corvos, haha): O Sonho do Celta é o último dele, se não me engano, e Os cadernos de dom Rigoberto foi indicado pela Renata como um dos melhores do Mario. Um dos melhores e eu não li? Aproveitei uma promoção de final de semana e comprei logo. Olha os lindos aí!

AMO as capas da Alfaguara... ; )
Que lindinha essa capa!

Eu fui a melhor Amiga de Jane Austen - Este livro parece uma graça! Indicação de uma amiga do Skoob que comprei pensando não só em mim, mas especialmente na minha filha que pode ler no futuro e se interessar por Jane Austen!

Compro muito livros indicados por pessoas queridas que sei que tem gostos parecidos com o meu ou que admiro. Raramente me decepciono...; )

O livro da Patrícia Highsmith foi presente de amigo oculto no final do ano de um aluno que sabe do meu gosto por suspenses; outro que quero muito ler. Novos autores sempre me dão uma ansiedade gostosa!

Cotoco. Diário de um menino de 13 anos foi o escolhido para o Carnaval e estou me divertindo, kkk. 
Um autor: coleções diferentes... Prefiro ter tudo da mesma linha editorial, e vocês?

Por fim, tem dois livros do Ítalo Calvino que comprei em promoções de final de ano muito baratos e quero ler. Um general na Biblioteca é um livro de contos reunidos pela esposa de Calvino. Como ando fascinada com o gênero e tenho outras obras do autor que discutem o conto quero ler!
As cidades invisíveis é um livro que tenho medo de ler pela nostalgia que certamente me provocará... Vou deixar para ler mais próximo da minha viagem futura!

(O post ficou enorme! Depois eu volto com querências literárias, rs)

E vocês, o que estão lendo, querem ler ou leram de bom estes dias?


Beijos e ótimo carnaval para quem curte e feriado para quem tem trabalho acumulado como eu! ;)












sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Resenha: Coração das Trevas

"Enfiei o livro no bolso. E lhes garanto que abandonar aquela leitura foi como ser apartado à força de uma velha e sólida amizade" (Conrad. Coração das Trevas. Companhia das Letras, pág. 63)


Ler Coração das Trevas foi uma experiência marcante! Eu demorei a entrar no livro; mas, quando o fiz, foi difícil me desfazer da força afetiva que a leitura teve sobre mim... tanto que só agora, mais de três semanas depois de terminar o livro, consigo escrever essa micro resenha. É assim que sou: me afasto, para poder me reaproximar de um modo que minha alma absorva o que vivi.

A característica mais marcante dessa obra do Conrad, na minha opinião, é a capacidade de transportar o leitor para uma  atmosfera própria que combina fascínio e horror. Interessante que a história é sobre uma viagem e o que o leitor sente é bem próximo às diversas sensações que uma viagem provoca: excitação com o novo, estranhamento, medo, fascínio, vontade de conhecer cada vez mais (o lugar, as pessoas), e, principalmente, um novo olhar sobre si mesmo a partir do conhecimento do outro/ do estranho... (Eu AMO viajar, quem me conhece há mais tempo sabe; e já tive viagens assim meio atormentadas, mas, como o protagonista da trama de Conrad, há algo que me leva a sempre querer viajar, conhecer novos lugares e ver como as pessoas vivem...).

Uma sinopse rápida: o livro trata de uma viagem de barco dentro da África (em um rio) narrada por um capitão inglês (Marlow). A época é a da colonização belga no Congo (o livro foi publicado em forma de fascículos no ano de 1899). Marlow tinha como missão conduzir um barco rio acima na busca de um integrante da Companhia de Comércio imperialista (Kurtz).

Quando você se envolve com o texto, é como se não apenas estivesse lendo a relação do personagem que narra a história (Marlow) com o rio, a floresta, as pessoas que ele encontra por lá e com o outro personagem central da trama (Kurtz); é como se você mesmo entrasse naquele rio tortuoso pelo qual Marlow se embrenha e em trevas que dizem respeito mais à alma humana do que físicas, palpáveis. Concordo com Mario Vargas Llosa que o tema principal do livro é o mal que experimentamos em nós mesmos. De uma forma sutil o binômio civilização e barbárie é questionado e transplantado para os nossos dilemas internos: desejo e repulsa. 

A edição que eu li é a de bolso da Companhia das Letras. Tem 121 páginas, letra um pouco pequena e traz também o conto Um posto avançado do progresso do próprio Conrad, bem como um comentário sobre as duas obras de Luiz Felipe Alencastro. Apesar de não gostar muito de edições de bolso (por conta da letra!), tenho que reconhecer que esta é muito boa, especialmente por contar com esses complementos.

Também me deparei com um conto de Conrad na obra "Contos de Horror" que estou lendo; o título é A Fera. Aliás, aproveito para comentar que essa seleção de Horror do Manguel é ótima! E o conto do Conrad é um dos melhores dessa coletânea. Para quem curte o gênero vale a pena!

Não sei se o mesmo ocorre com vocês, mas é bem interessante o quanto um novo livro, um novo autor sempre me leva a olhar tudo a minha volta de um jeito diferente (quando a experiência é boa, claro! rs). E, mais ainda: depois de um autor/livro nos marca tão fortemente, é como se passássemos a enxergar mais dele e sobre ele à nossa frente.

Foi assim que lembrei que tinha aqui em casa, no livro "Por que ler os clássicos", um comentário do Ítalo Calvino sobre o Conrad. No breve ensaio, Calvino ressalta que o que o levou a gostar tanto dos capitães de Conrad foi o fato do autor imprimir em seus personagens o "sentido  de uma integração com o mundo conquistada na vida prática, o senso do homem que se realiza nas coisas que faz, na moral implícita no trabalho, no ideal de saber estar a altura da situação" (Calvino, Ítalo. Por que ler os clássicos, Companhia das Letras, pág. 182.
Me arrepiei com a capacidade de Calvino em definir tão bem algo que Conrad transparece através dos seus personagens! Essa foi uma das coisas que senti ao ler outras obras do autor e ver, em personagens tão distintos, reflexões próximas. Gosto quando é possível enxergar um eixo de representação da vida através de personas diversas. Conrad definitivamente me conquistou; agora vou a procura de outras obras do autor!

Por fim (que post enorme para variar, rs), li também o ensaio do Mario Vargas Llosa sobre Coração das Trevas no livro "A Verdade das Mentiras" (para saber mais sobre o livro do Llosa e meu projeto literário  clique aqui).

Gostei muito do ensaio (e recomendo também)! Llosa escreve sobre a vida de Conrad e como esta se entrelaça com suas obras. Assim, mostra o quanto a ficção permite ir além do que vivemos e lidar com o que vivemos: transformar aquilo que não se pode viver ou entender/aceitar em palavras. Llosa comenta as atrocidades cometidas por Leopoldo II no Congo, à época em que Conrad lá trabalhou como capitão de navio da Sociedade Anônima Belga. De certa maneira, a ficção conradiana denuncia a tragédia humana que um só indivíduo em sua sede de lucro infringiu à milhares de pessoas e não permite que se esqueça a violência da empresa colonial européia. Ou seja, muitas vezes as "mentiras" da ficção permitem trazer à tona as verdades que alguns querem obscurecer.

(Quem se interessar pelo domínio e pela devastação que a exploração comercial do Congo causou através do "rei" Leopoldo II, com número de mortos comparável aos assassinados por Hitler, procure "O Fantasma do Rei Leopoldo" do historiador Adam Hochschild).

Por fim, só me resta deixar aqui algumas frases espirituosas do Conrad que guardei do livro (só as que não comprometem o prazer da descoberta, claro!).

"Entre nós havia, como já disse em algum momento, o laço do mar. Além de manter os nossos corações unidos apesar de extensos períodos de separação, ele tinha o efeito de nos tornar tolerantes às longas histórias - e mesmo às convicções - uns dos outros". 
(Conrad. Coração das Trevas. Companhia das Letras. pág. 9)

Eu nunca fui "do mar", mas mantenho esse tipo de ligação com muitos amigos e com meus primos que vivem muito, muito longe...

"Prefiro me entregar à preguiça e ficar só pensando em todas as coisas que podem ser feitas. Não gosto do trabalho - ninguém gosta - mas gosto do que o trabalho proporciona - a oportunidade de se encontrar. A sua própria realidade - para você, não para os outros - que nenhum outro homem terá como conhecer. Os outros só enxergam a mera aparência, e jamais sabem o que a pessoa de fato pensa" (Conrad. Coração das Trevas. Companhia das Letras, pág. 48)

Essa ética do trabalho está muito presente na obra de Conrad, como ressalta Calvino; também me identifiquei e fiquei um bom tempo pensando nisso... A nossa realização pessoal no trabalho e no estudo é uma experiência única e intransferível.

"É estranho como as mulheres não tem contato com a realidade! Vivem num mundo à parte; nunca existiu mundo semelhante, nem jamais poderá existir. É lindo demais em todos os aspectos, e se alguém fosse construí-lo haveria de se espatifar antes do anoitecer do primeiro dia. Alguma coisa execrável, com que nós homens  nos conformamos a viver desde o dia da criação, haveria de entrar em ação e derrubar aquilo tudo por terra" (Conrad. Idem. pág. 23)

Leia mais de uma vez antes de chamá-lo de preconceituoso e etc (uma vez que o fundamental certamente não é uma questão de gênero!). Eu, que sou uma pessoa de extremos, ora vivo na idealização de um mundo e de uma humanidade perfeitos, ora convivo com essa certeza da presença do execrável... Ah, ainda bem que  a literatura nos salva de nós mesmos e do desespero advindo de nossa condição finita! ; )


Beijos e saudades de papear aqui com vocês! Como acredito vocês já perceberam, está difícil manter uma disciplina de posts por aqui... Mas é muito bom compartilhar a vida mesmo que em breves momentos!


sábado, 4 de fevereiro de 2012

3x Ryan Gosling!


Ai, ai... ; )

Quando penso em Ryan Gosling, acho que é possível dar um novo sentido à máxima: "um é pouco, dois é bom e três é demais". Demais aqui é no bom sentido! Demaaaaais de tão bom! haha

Outro dia vi um filme com o Ryan e reparei que o que mais me chama atenção na atuação dele é a paixão e entrega que ele tem pelos seus personagens. É difícil eu gostar muito de um ator a ponto de ver o filme sem indicação alguma apenas pelo prazer de vê-lo na tela. O único ator que eu vejo qualquer filme em qualquer momento da minha vida é o Daniel Day-Lewis! Meu ator predileto para sempre! ; ) 
Dois dos filmes dele, aliás, também figuram na minha lista de melhores filmes de todos os tempos: "Em nome do pai" e "Meu Pé esquerdo"; incrível a atuação do Daniel nestes dois filmes!

Pois o Ryan me surpreendeu nos últimos três filmes que vi com a participação dele e acredito que ele está se tornando um excelente ator. Dois deles eu vi ano passado e o último agora em janeiro.

1. Drive


Muito bom esse filme! Gostei do roteiro nada óbvio, da estética toda (iluminação, figurinos, locações) e dos atores. O Ryan Gosling, em especial, está muito bem nesse filme.

A trama gira em torno do personagem de Ryan, que é dublê de filmes de ação durante o dia e motorista à noite. O resto da sinopse não tem a menor importância.

O relevante é a relação do personagem principal (driver) com o mundo: com a estrada, o seu carro e com as pessoas à sua volta. A analogia com o ato de dirigir, aliás, é bem interessante e a atmosfera criada não é a de um filme de ação qualquer; é um filme introspectivo e meio melancólico. 

Tem muitas cenas bonitas e uma direção de cena bem legal. É um dos filmes que mais gostei do ano passado! Vale a pena por tudo e, claro, pelo Ryan... rs


2. Blue Valentine (Namorados para Sempre, na tradução que ganhou por aqui)

Ai, esse filme é um drama sobre relacionamento tão bonito... Ele não tem nada de romance água com açúcar; é doloroso, intenso, belo e feio também, como todo amor real. Outro que tem um roteiro interessante (não vou comentar muito que estraga!), e atuações excelentes do Ryan Gosling e da Michelle Willians.

Aliás, devo dizer que eu tinha algumas restrições com a Michelle Willians; minha impressão era que ela interpretava todos seus papéis de forma muito parecida e tal. Mas nesse filme ela surpreende muito! Os dois estão ótimos nos (vários) papéis que interpretam no filme!

Eu sou super implicante com trailers: acho quase todos óbvios demais, mal feitos - apenas descrevem a história do filme e entregam tudo em vez de atrair a atenção. Um bom trailer é uma arte!
Mas esse de Blue Valentine eu amei! Vi depois de ter visto o filme (quase nunca vejo trailers antes - fecho os olhos no cinema, haha, muito louca!); mas achei tão bem feito que resolvi deixar aqui abaixo para quem por ventura não tenha visto o filme ainda.



Não é fofo? ; )

3. The Ides of march (Traduzido aqui como Tudo pelo Poder)

É MUITO charmoso esse Ryan!!! (Você também, George! ; )

Este último filme é o mais recente que eu vi (acredito que ainda está em cartaz). The Ides of March tem direção de George Clooney e trata dos meandros da política intra-partidária norte-americana. Mais especificamente, a trama se desenrola a partir dos bastidores de campanha dentro do partido democrata para a indicação do candidato do partido à presidência. 

Muitos jornalistas apontaram para o lado crítico do filme (e do diretor) em relação aos democratas e ao presidente Obama especificamente. Porém, eu achei fraco o filme como crítica política - a ideia presente é a de que todos se corrompem mais cedo ou mais tarde. Fato? Pode até ser (embora eu sinceramente não acredite nisso...), mas o roteiro não traz nada de novo e impactante e o filme perde folego nesse sentido.

Um dos pontos fortes é certamente a atuação de Ryan Gosling (kkk)! Ele interpreta muito bem o diretor de campanha que tem seu idealismo confrontado com o realismo político, o jogo partidário e midiático. Já G. Clooney não me convenceu com essa sua atuação (ele é o candidato do partido democrata mais à esquerda), achei que ele ficou apagado demais (que contraste com o filme Boa noite, boa sorte! e o George Clooney ótimo naquele papel!). 
Tudo pelo Poder conta ainda com outros atores que eu gosto muito: Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti e com a Evan Rachel Wood, que eu não conhecia, em um dos papéis principais.

Recomendo quase que única e exclusivamente pelo Ryan Gosling! rs


E vocês, já viram algum destes filmes? Gostaram? Recomendam algum outro com o lindo do Ryan? ; )


Beijos!


sábado, 28 de janeiro de 2012

"Immigrant Song" e a sequência de abertura de The Girl with the Dragon Tatoo! (na versão norte americana)

Acho que não estrago o prazer de ninguém mostrando a MELHOR abertura de filme dos últimos tempos! <3

SURTEI com essa abertura ontem quando vi o filme! Só isso já basta para ir ao cinema ver a adaptação de David Fincher para a primeira parte da trilogia Millenium (falei da minha relação com a obra do Larsson aqui); mas tem também um bom roteiro adaptado, boas atuações e, no conjunto, um filme que tem tudo para ser um dos melhores do ano.

Só de implicância, preciso dizer que a única coisa que não gostei foi a maquiagem da Rooney Mara como Lisbeth Salander... (Não adianta que não gosto do visual sem sobrancelhaaaaa! E faltaram tatoos, na minha opinião. rs). Mas a atuação dela foi muito interessante.

Fora a abertura (que é nota mil e merece um prêmio! Demais mesmo!), o que eu mais gostei no filme foi poder apreciar como tudo foi bem executado: a montagem, a trilha sonora e a edição de imagens, especialmente. Alguns atores estão muito bem; fora a Rooney Mara e o Daniel Craig ; ), gostei do Christopher Plummer e do Stellan Skarsgard. Não me surpreendi quando vi que o diretor é o mesmo filmes de suspense com bons roteiros e direção; como Se7en e O quarto do Pânico - além de Clube da Luta - outro que gosto dele, ainda que de outro gênero. Uma característica do diretor, na minha humilde opinião de leiga, é a uma certa agilidade visual - montagem/edição (como no recente A Rede) - contrabalançada com a música e sobreposição de imagens nas sequências mais lentas. Eu gosto desse estilo e achei que ficou bom no filme da dupla Salander/Mikael.

Agora a abertura (repito sim!) é imperdível! Amei essa música - Immigant Song - e a sequência toda; um trabalho de arrepiar! ; )
Enjoy!

(Cliquem para ver na tela inteira! Vale a pena!)




E quem mais já viu o filme? ; )


Beijos!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O coral da Essie, o "verão", os paraísos e o Veríssimo

Coral Reef da ESSIE

Flash fail total; ficou laranja, mas é coral, CORAL mesmo! Mas eu amei a foto e quis colocar aqui mesmo assim... ; )

Eu não sou uma pessoa do verão. Definitivamente sou outonal e invernal por natureza; muito verão me faz mal... Fico mole, sonolenta, melancólica (sim, é possível, gente! O dia lindo lá fora e eu lembrando da infância e dos verões passados, aqueles que eram bons... rs). Aliás, eu sou o tipo de pessoa que gosta de lembrar; que adora conversar sobre lembranças e que sorri no meio do nada imaginando algo bom que passou, que sonhou ou que virá... E para sonhar nada melhor que um tempo ameno e flores no jardim, certo? O verão acaba com minhas energias mentais...

Por tudo isso, passei o Coral Reef da Essie para ver se me transmitia por osmose uma energia veranil; nunca se sabe, não é? (rs). E um esmalte festivo e vibrante assim é o máximo que eu aproveito feliz do verão. Praia e sol eu estou fora! Por vários motivos...

Uma pequena anedota real da minha vida pode dar a vocês uma idéia do que eu passo na praia. Eu tinha um ano e meio e minha mãe me levou à praia com minha irmã dois anos mais velha. Diz ela que foi a primeira vez que eu fui e que Deborah (minha irmã) exalava satisfação e uma alegria contagiante (a Debinha é TOTAL verão!). Minha mãe me levava no colo quando começou a ouvir: "Ai, ai!". "O que foi filha?" E eu: "o sol está me incomodando" (A verdade é que estávamos em Honduras, terra da minha mãe, e eu falava em espanhol "me molesta el sol!"; fica mais bonito em espanhol! ;)). Ela me colocou no chão e pegou logo o chapeuzinho que tinha na bolsa: "ai, ai" continuei. "O que foi Denise?". "A areia me incomoda!". kkk
Em uma última tentativa, minha mãe me levou ao mar onde Deborah já devia estar brincando feliz da vida... "ai, ai!". "O que foi agora Denise?"; "Me incomoda a água!"... E assim sou eu até os dias atuais: uma fresca! haha

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Tirei outra foto para poder mostrar a cor original do esmalte! Agora sim! Yey!

De quebra mostro o lindo do anel "asinha" usado no meio do dedo, adoro!

Outro dia estava lendo o novo livro do Veríssimo (Em algum lugar do Paraíso) e me identifiquei na hora com a referência e a relação do escritor com o verão, o mar e o calor. Do livro como um todo não gostei muito, para ser sincera...
Mas tomo a liberdade de reproduzir trechos da crônica que eu mais gostei: "Víamos os nossos pés" - para o deleite dos amantes da temperatura amena! ; )


A edição é primorosa: a capa e o miolo estão lindos!

"Víamos os nossos Pés

O outono é a única estação civilizada. A primavera é um descontrole glandular da natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade. Eu deveria ser um par de garras serrilhadas escapulindo pelo chão de mares silenciosos, ou pelo menos um falso inglês como o Elliot. Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro. As frutas têm suco, não um inglês. (...) Quando chega o verão começo a me imaginar em Londres, estocando meus tintos para o inverno. Mas é claro que não aguentaria duas semanas como inglês sem começar a maldizer a umidade e a sonhar com o sol.

Mas não sou uma pessoa tropical. Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc. etc. (O verão não é uma boa estação para a literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono).

Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do sul, em algum ano da década de 50. (..)

Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? (...) Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água?  Alguns anoiteceram dentro d'água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço."
Luis Fernando Veríssimo, Em Algum lugar do Paraíso. Objetiva, 2011.



O meu banho de mar perfeito
Janeiro de 2005, Ilha de Roatán na praia West Bay com minha família naquele mar maravilhoso da minha outra pátria! Minha amada avó entrando na água com um sorriso de criança... Clara (minha filha) com 6 anos perdendo o medo, descobrindo e amando loucamente o mar azul transparente dessa linda Ilha do Caribe hondurenho.... Inesquecível! Fiz até trancinhas no cabelo naquele verão... E, sim, claro: víamos os nossos pés... todos eles!

Praia de West Bay, Ilha de Roatán, Honduras.
Um dos meus paraísos nessa terra...
(Fonte da imagem: Madeincentralamerica)


Beijos!


PS: E para quem é do verão: bom proveito!

PS2: Quem aí tem um banho de mar inesquecível para contar?





quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Projeto Literário 2012: Diálogo com "A Verdade das Mentiras"



Todo romance é uma mentira? Toda mentira ou invenção presente nos romances é completamente diferente da vida "real'?

O ponto de partida de Mario Vargas Llosa no livro A Verdade das Mentiras é justamente o questionamento de qual é a verdade dos romances (ou a mentira que os romances trazem à tona, poderíamos dizer). Em paralelo, o autor se preocupa no incômodo que muitos romances causaram  em diversas sociedades ao longo do tempo,  a ponto de serem proibidos; e com a diferença entre história e ficção e os usos que governos totalitários fizeram da literatura.

O que o romance, a ficção, revela sobre a realidade? Ou o que a ficção provoca nas pessoas que pode incomodar?

"Todo bom romance diz a verdade e todo mau mente. Porque 'dizer a verdade' para um romance significa fazer o leitor viver uma ilusão, e 'mentir' ser incapaz de conseguir esse engano, esse logro."
"(...) por mais delirante que seja, ela (a fabulação) afunda suas raízes na experiência humana, da qual se nutre e à qual alimenta."
"Porque querer ser diferente do que se é tem sido a aspiração humana por excelência. Dela resultou o melhor e o pior que a história registra. Dela também nasce a ficção"

"Quando lemos romances, não somos o que somos habitualmente, mas também os seres criados para os quais o romancista nos transporta. Esse traslado é uma metamorfose: o reduto asfixiante que é nossa vida real abre-se e saímos para ser outros, para viver vicariamente experiências que a ficção transforma como nossas. Sonho lúcido e fantasia encarnada, a ficção nos completa - a nós seres mutilados, a quem foi imposta a atroz dicotomia de ter uma única vida, e os apetites e as fantasias de desejar outras mil. Esse espaço entre a vida real e os desejos e as fantasias, que exigem que seja mais rica e mais diversa, é preenchido pelos livros de ficção".
"Somente a literatura dispõe de técnicas e de poderes para destilar esse delicado elixir da vida: a verdade escondida no coração das mentiras humanas."

Ficção x História (ou da literatura como Protesto!)

"Porque a vida real, a vida verdadeira, nunca foi nem será suficiente para satisfazer os desejos humanos. E porque sem essa insatisfação vital que a s mentiras da literatura, por sua vez, incitam e aplacam, jamais existe um progresso autêntico"
"Graças à ela (a literatura) somos mais e somos outros, sem deixar de ser nós mesmos. Nela nos dissolvemos e nos multiplicamos, vivendo diversas outras vidas além da que temos e das que poderíamos viver se permanecêssemos confinadas no verídico, sem sair do cárcere da história"
"Os homens não vivem somente da verdade; as mentiras também lhes fazem falta; as que inventam livremente, não as que lhes são impostas; as que se apresentam como o que são, não as contrabandeadas com a roupagem da história. A ficção enriquece sua existência, completa-a e, transitoriamente, compensa-os dessa trágica condição que é a nossa: a de desejar e sonhar sempre mais do que podemos alcançar".

(Todos os trechos acima em itálico são da introdução da obra A Verdade das Mentiras de Mario Vargas Llosa)
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Mario Vargas Llosa é um dos meu autores preferidos! Tenho quase todos os seus livros e já li a maioria. A Verdade das Mentiras, entretanto, ainda não li, pois é um livro que fala da literatura a partir dela mesma - os capítulos do livro são ensaios sobre grandes romances do séc. XX. O diálogo com Llosa pressupõe, portanto, a leitura dessas obras. Poderia até ser lido sozinho, acredito, mas eu guardei para ler em conjunto dos romances sobre os quais ele escreve. 




Como eu já tinha comprado aos poucos vários livros que o Llosa comenta e queria ler, decidi fazer uma programação para 2012 nesse sentido. Minha lista tem apenas o Cortázar de intruso, já que ele não figura em nenhum ensaio do escritor peruano neste livro. Mas, como tenho outra obra de Llosa que dialoga com o Cortázar, e como já queria ler, incluí mesmo assim! ; )

A minha proposta, portanto, é ir lendo os romances e, em seguida, o ensaio correspondente de Llosa (bem como outros textos analíticos que eu tenha por aqui ou que me indiquem! ; ). É algo que eu sempre quis fazer: ler um romance e dialogar com outros admiradores da obra, escritores e acadêmicos!

Quem se anima? ; )




A minha lista está bem magrinha (comparada aos 36 livros comentados por Llosa!). Não incluí todos os livros por vários motivos. Primeiro, porque continuarei lendo outros livros também por fora, (sou vidrada em suspense, fantasia e ainda tenho muitos aqui na fila! Isso fora os livros para os cursos e projetos que eu tenho que ler! rs). Além disso, dei prioridade aos livros que eu já tinha aqui em casa e alguns poucos que me interessam muito para além dos que já tenho (e que terei que fazer uma busca para adquirir já que não são livros fáceis de encontrar!).
Por último, eu tenho várias outras obras de alguns dos escritores que o Llosa comenta; então pretendo ler mais de uma obra por autor, caso role muita empolgação! E isso porque eu costumo ficar fanática quando gosto mesmo de um escritor, hehe.

Sem mais delongas, segue minha lista:


JANEIRO
O Coração das Trevas (1902) – Joseph Conrad (Já comecei e estou gostando!)
Morte em Veneza (1912) – Thomas Mann

FEVEREIRO
(Um mês meio tenso, já que volto a trabalhar e otras cositas más... Só me programei para um livro do projeto, rs)

Dublinenses (1914) – James Joyce




MARÇO
Mrs. Daloway (1925) – Virginia Woolf
O Grande Gatsby (1925) – F. Scott Fitzgerald

Um pequeno grande parênteses: 
Eu ganhei de uma pessoa que adorava literatura norte-americana e inglesa uma pequena biblioteca. Um dos autores que ela me deu quase a obra completa é o Fitzgerald - por isso tenho o Grande Gatsby em três línguas! Eu já gostava dele, mas só li seus contos e em português. Então penso que é uma oportunidade de voltar a ler e estudar inglês e aproveitar essa mini biblioteca deliciosa que eu herdei! ; )

Algumas fotos da minha mini biblioteca para os viciados em livros como eu:

Poe, D. H. Lawrence, Capote, Fitzgerald e outros!

Aldous Huxley, Faulkner e também Charlotte Bronté!

Peço desculpas pela qualidade das fotos! Muito mal iluminado esse quarto aqui em casa ; (
E essa alma caridosa e amante de literatura também me deu alguns livros de especialistas: Tenho ou não tenho o dever de aproveitar tudo isso????

E aqui o que tenho do Fitzgerald em português, além do Gatsby!

Continuando com a lista! ; )

ABRIL
O lobo da estepe (1927) – Herman Hesse
Santuário (1931) – W. Faulkner

MAIO
Admirável Mundo Novo (1932) – Aldous Huxley
A Condição Humana (1933) – André Malraux

Os livros que eu já tenho do projeto todos juntos!

JUNHO
O Poder e a Glória (1940) – G. Greene
Fim de Caso (1951) – G. Greene

JULHO
O Estrangeiro (1942) – A. Camus
A Revolução dos Bichos (1945) – George Orwell (Esse vai ser releitura!)

AGOSTO
O Velho e o Mar (1952) – Ernest Hemingway
Paris é uma Festa (1964)– Ernest Hemingway

SETEMBRO
Lolita (1955) - V. Nabokov
House of Sleeping Beauties (1961) – Yasunari Kawabata

OUTUBRO
The Golden Notebook (1962) – Doris Lessing
(Da Doris Lessing tenho Instruções para uma viagem ao Inferno e quero aproveitar para ler também).

NOVEMBRO E DEZEMBRO (OVERDOSE DE CORTÁZAR, rs)
Armas Secretas (1959) - Cortázar
Todos os Fogos o Fogo (?) - Cortázar
Jogo da Amarelinha (1963) - Cortázar


E é isso! Estou bem feliz com meu projeto literário para 2012! ; )
Vou tentar postar sobre o andamento aqui, mas escrevo mais sobre as leituras no Skoob (aqui). Quem aí usa o skoob? (Fora a Fabíola que eu já sei que tem e aliás explica aqui tudo sobre o skoob)

Alguém já fez planos de leitura para o ano também? Me contem!


Beijos!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Torta Caprese do Celidônio: uma das minhas tradições culinárias! ; )

300g de amêndoas e 150g de chocolate meio amargo = DELÍCIA!

Close nos pedacinhos de amêndoa... Humm!

Acho que a única coisa que eu sei fazer MUITO bem na cozinha é torta! haha

E essa de amêndoas com chocolate já virou uma das minhas tradições de começo de ano. Fiz ontem e lembrei de tirar foto para socializar essa maravilha com vocês! (Tudo bem que podia ter dado a dica antes das festas... mas a intenção é o que vale! rs).

A receita é do Celidônio: adoro várias das saladas e dos doces que ele ensina em seus livros! Atualmente, ele publica todo domingo na revista do jornal O Globo. Essa de Torta Caprese saiu em um especial sobre receitas da Ilha de Capri de 2001!!!! Desde então eu guardo e venho repetindo a receita quase todos os anos.

A única coisa é que coloco um pouco menos de manteiga (150g) e um pouco menos de açúcar (200g). Sempre diminuo um pouco o açúcar das receitas, já virou mania!


Torta Caprese e outras delícias!

Para facilitar, deixo abaixo a receita da Torta Caprese já com as modificações que eu fiz:

300g de amêndoas cruas (sem pele e picadinhas)
150g de chocolate meio amargo em raspas
200g de açúcar
150g de manteiga (ou um pouquinho mais ; ) ;temperatura ambiente)
5 ovos (Separar as gemas das claras)
1 colher de sopa rasa de farinha de trigo
1/2 colher de café de fermento

Misturar as gemas, a manteiga, o açúcar e o chocolate ralado. Depois acrescentar as amêndoas picadinhas, a farinha e o fermento e incorporar. Por último, acrescentar as claras batidas em neve. Assar em forma de 25c de diâmetro em fogo médio por 30-40 minutos. Servir com chantili ou sorvete de creme e um baita sorriso nos lábios. ; )

Não é fácil?

E amêndoa com chocolate é uma dessas combinações perfeitas que alegram a vida de qualquer ser humano, rs. Igual a nozes com baba de moça ou cheesecake de cassis: just perfect! <3


Beijos!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Mesa de cabeceira: "A Rainha do Castelo de Ar"



Capa da versão "econômica" da Cia das Letras!

A Rainha do Castelo de Ar é o terceiro livro da trilogia Millennium, escrita pelo sueco Stieg Larsson. Infelizmente o autor morreu logo após a entrega do terceiro livro para a editora (e deixou uma família brigando pelos direitos autorais de sua obra que virou best seller mundial, foi adaptada para a telona por diretores suecos e agora se tornará filme também em Hollywood... duplamente triste a morte e a briga!). Dizem que Stieg deixou quase 300 páginas do livro que viria a ser o quarto da série e que existe a possibilidade da mulher dele terminar e publicar este volume. Vamos ver...

Para os amantes de literatura policial, esta trilogia é um prato cheio! 

Eu li o primeiro livro com um pouco menos de frisson, digamos assim, pois já tinha visto o filme sueco  inspirado neste volume inicial (traduzido aqui como "Os homens que não amavam as mulheres"). Porém, o segundo livro eu devorei em menos de uma semana! Até agora, considero o segundo da série, A menina que brincava com fogo, o melhor livro dos três, irresistível!

No momento, estou lendo A Rainha do Castelo de Ar bem lentamente: em parte porque estou muito focada trabalhando e em parte porque não quero que acabe! Sabe quando você começa a se sentir órfão dos personagens, do lugar, da trama e de toda a imaginação que você foi construindo ao ler o livro? Estou já assim, e olha que ainda faltam umas 400 páginas, rs.

Aliás, acho que esse é um dos motivos pelos quais eu adoro continuações.... Eu me apego demais aos personagens quando gosto de um livro! Eu me divirto criando as imagens de cada um deles na minha mente, fico matutando também qual será o desfecho de cada um... Enfim, quem é leitor compulsivo sabe como é se apaixonar assim pela imaginação que a gente constrói a partir das palavras do outro e o quanto é bom! = )

Abaixo uma das edições mais legais que encontrei da trilogia: a da tradução inglesa.

Adorei essas capas!


Eu não vou falar do enredo de cada um dos livros (até porque tem milhões de resenhas já que estou super atrasada, rs); mas sim do meu interesse pessoal e dos motivos pelos quais acho que a ficção tratada em Millennium transcende as 1800 páginas do conjunto da trilogia. Com isso, quero poder convidar os possíveis leitores a admirar a obra e a reflexão por trás da mesma.

Eu adoro literatura policial, suspense, mistério e horror. (Também gosto de ficção científica, romances, mas não vem ao caso, rs). Mas, para além disso, eu gosto muito de livros que agregam a um gênero específico uma temática política e/ou caráter jornalístico. Isso tem clara relação com meus interesses mais gerais na vida: sou cientista social e estou me especializando em ciência política.
Aliás, um último dado importante sobre minha relação com a literatura: eu fui "formada" como leitora a partir dos romances políticos e sociais de escritores latino americanos. ; )


Voltando ao tema principal: nessa série, Stieg Larsson faz uma ficção policial no melhor estilo mesclada com elementos políticos e jornalísticos que dão um tom muito realista à história!

A temática principal - violência contra mulheres, bem como a estigmatização de minorias ou grupos politicamente marginalizados em geral - é tratada em meio a investigações jornalísticas e policiais nas quais os personagens principais se envolvem. De formas diversas, os dois protagonistas - Mikael Blomkvist, um jornalista, e Lisbeth Salander, uma hacker – se deparam com abusos de muitos tipos cometidos contra mulheres e os vários olhares sobre esta realidade no passado e no presente.

Eu não gosto de adiantar muito a história, ou mesmo características dos personagens; pois acho que a arte da leitura é justamente ir formando uma visão pessoal dos personagens e da trama. O autor tem a sua própria imaginação e uma finalidade ao escrever o livro; mas o leitor também tem, na sua apreciação pessoal, uma relação afetiva e criativa muito interessantes com o texto!
Cada leitor, de certa forma, cria algo também a partir do que ele lê e é por isso, aliás, que uma obra escrita nunca morre, está sempre viva e em movimento a partir da mente dos seus leitores...

Sendo assim, quero apenas chamar a atenção para uma última característica mais geral dos livros do Larsson: o modo como é bem feita toda a união de tramas paralelas, e como drama de cada uma delas é sempre algo relacionado com uma realidade social e política mais ampla. Em resumo, na minha visão, a leitura da ficção apresentada em Millennium nos permite refletir como os dramas pessoais e sociais estão fortemente relacionados e como, a partir da empatia que nos gera a dor ou o imponderável vivido pelo outro é possível sempre uma ação e uma transformação (senão na própria realidade, ao menos em nós mesmos!).

Não é só quem gosta de policial ou de suspense que vai gostar desta série. Também não é só uma leitura prazerosa; é uma história da qual não saímos ilesos. Impossível não pensar no drama da violência contra a mulher hoje; nos diversos tipos de preconceito e seus efeitos na vida das pessoas; no horror que é a violência ideológica sancionada pelo Estado. Impossível não trazer algo para dentro da nossa vida e da nossa prática!

Por tudo isso é que eu recomendo a leitura da série e convido os leitores a se manifestarem nos comentários sobre suas impressões e reflexões com esta trilogia!

Por último, sobre os filmes com elenco e produção suecos, recomendo assistir ao filme do primeiro livro! É muito melhor que o do segundo, sem sombra de dúvida!!! (O terceiro ainda não vi!: ). Como adaptação de um livro com quase 600 páginas, é claro que deixa muita coisa de fora; mas é um bom filme.




(Me irritou um pouco a tradução dos títulos dos livros/filmes para o português. O primeiro, por exemplo, traduzido literalmente seria: A garota com a tatuagem de dragão. Por quê precisa mudar tão radicalmente? Não gosto disso não!)

Agora, uma das coisas que mais gostei neste filme foi VER a Lisbeth Salander. Ainda que a atriz sueca (Noomi Rapace) que a interpreta seja um pouco apagada; a personagem é tão complexa e intrigante que vale a pena ver uma tentativa de caracterização na telona. E a Noomi é linda; de uma beleza meio etérea, eu diria.

O tal do Dragão...


Não dá para ver bem, mas é um escândalo de tatuagem, rs!

A personagem Lisbeth tem sérias questões com sua imagem e com o relacionamento com os outros. Além disso, grande parte da obra gira em torno também da dificuldade que as pessoas tem em enxergar a beleza e a singularidade de cada ser humano por trás dos estereótipos sociais. Então é bem interessante toda a transformação e caracterização da personagem na tela!

Abaixo o cartaz do filme que eu achei bem bonito também:

Capa do primeiro filme da série

Noomi na première do filme em Paris: não é linda?

E vocês: já leram, gostaram?


Beijos!



PS: Interessante também foi descobrir na história pessoal do autor do livro experiências de vida que o levaram a ter tanto interesse na violência e na desigualdade de gênero em seu país! Stieg era jornalista de profissão; daí também se entende um pouco o estilo de escrita do autor, que muitas vezes tem um caráter descritivo diferente e de jornalismo investigativo forte. (Para quem quiser ler um pouco mais sobre a história de vida do Larsson: clique aqui).

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dica de filme: Mary e Max


Mary and Max (2009)
Animação longa-metragem de stop-motion escrita e dirigida por Adam Elliot.


No domingo à tarde me deparei com esse filme e tive a certeza que não podia deixar de indicar aqui para vocês. :)

Mais do que simplesmente convidá-las a assistir, eu quero dedicar este filme para todas as pessoas maravilhosas que eu conheci através desse blog! Todas vocês que vêm aqui sempre ou de vez em quando e deixam um carinho imenso em forma de palavras. Vocês que, mesmo distantes, estão sempre perto através da amizade nas suas belas e variadas formas! (Obrigada...)

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Mary e Max são dois amigos que se conhecem de maneira estapafúrdia e se reconhecem como pares no meio de mundos completamente diferentes, doloridos e distantes (a vida de cada um...). O distanciamento (que não é só geográfico entre os dois, mas é também de cada um deles em relação ao mundo que os rodeia) e as particularidades de cada um são elementos centrais no filme.

Só de ouvir de novo a musiquinha tema da obra, dá vontade de chorar. (mas é que eu sou chorona pacas! rs). Apesar de depressivo, o filme tem muito dessa delicadeza que nos revigora a alma... fala de solidão, família, amor e amizade e nos faz pensar em tudo o que envolve relações deste tipo: troca, perdão, amor desinteressado, alegria e dor...

Amigos verdadeiros são aqueles que encontramos e que nos compreendem, quando nem nós mesmos conseguimos... E os personagens do filme vivem (por razões diferentes) uma necessidade de amor e amizade ímpar, como aliás vivemos também nós espectadores, nós seres humanos... Sem o amor, não nos completamos ou somos capazes de viver o que há de mais profundo em nós.

Não posso falar muito, pois perde totalmente o charme (rs). Então só digo que não deixem de ver e se emocionar com essa história e a montagem diferente e tragicômica com a qual o diretor nos brinda através dos personagens, dos cenários e do enredo.

Segue o trailer:



Bj grande!


PS: O filme é baseado em fatos reais!